quinta-feira, 7 de maio de 2009

2.3 A Inspiração da Bíblia

A característica mais importante da Bíblia não é sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter sido inspirada por Deus. E quando falamos de inspiração, não nos referimos a uma inspiração poética, mas de autoridade divina.

3.1 Definição Etimológica de Inspiração

Embora a palavra inspiração seja usada apenas uma vez no Novo testamento (II Tm 3:16) e outra no Velho Testamento (Jó 32:8), o processo pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada ao homem é apresentada de muitas maneiras.

Assim escreveu Paulo a Timóteo: “Toda Escritura é divinamente inspirada [θεοπνευστος] e proveitosa para ensinar...”(II Tm 3:16). O vocábulo grego θεοπνευστος traduzido comodivinamente inspirado” vem de dois outros vocábulos, a saber: θεος (Deus) + πνηυμα (vento, sopro, espírito), dando-nos, assim, o entendimento que a Bíblia é o registro fiel daquilo que saiu da boca de Deus, uma vez que cada palavra foi soprada por Ele.

Confirmando este conceito podemos citar os seguintes textos bíblicos: I Co 2:13; II Pe 1:21; Hb 1:1; I Pe 1:11. E fazendo uma combinação da passagens, descobrimos que a Bíblia é inspirada no seguinte sentido: Homens, movidos pelo Espírito santo, escreveram palavras sopradas por Deus, as quais são fonte de autoridade para a e para a prática cristã.

3.2 Definição Teológica da Inspiração

Num sentido mais amplo, a inspiração inclui o processo total pelo qual alguns homens movidos pelo Espírito Santo, anunciaram e escreveram palavras emanadas da boca de Deus; e, por isso mesmo, palavras dotadas de autoridade divina. Esse processo total de inspiração contém três elementos essenciais, a saber:

a. Causalidade Divina: Deus é a causa e a fonte primordial da inspiração da Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento humano, revelou-lhe certas verdades da , e esses homens de Deus as registraram.

b. Mediação Profética: Os profetas escreveram segundo a intenção total do coração, segundo a consciência que os movia no exercício normal de sua tarefa, com seus estilos literários e seus vocabulários individuais. As personalidades dos profetas não foram violentadas; Deus utilizou personalidades humanas para comunicar proposições divinas.

c. Autoridade Escrita: A Escritura “é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”. A Bíblia é a última palavra no que concerne a assuntos doutrinários e éticos. Todas as controvérsias teológicas e morais devem ser trazidas ao tribunal da Palavra Escrita de Deus, pois ela recebeu sua autoridade do próprio Deus.

3.3 Distinções Importantes

3.3.1 A Inspiração em Contraste com a Revelação e a Iluminação

No processo de inspiração devemos diferenciar alguns conceitos afim de que tenhamos uma visão exata do que seja realmente a inspiração.

a. Revelação: ato pelo qual Deus se manifestou ao homem e deu a este o conhecimento de qual era a sua vontade (sonhos, visões, profecias, teofanias, etc).

b. Inspiração: Ato pelo qual o Espírito Santo capacitou santos homens de Deus a escreverem fielmente tudo quanto Deus quis que fosse registrado de suas revelações.

c. Iluminação: Ato pelo qual o espírito santo capacita os homens a compreenderem a verdade de Deus nas Sagradas Escrituras.

3.3.2 A Inspiração dos Originais, não das Cópias

os manuscritos originais, conhecidos como autógrafos, foram inspirados por Deus. Portanto, uma cópia ou tradução é autorizada à medida que reproduz com exatidão os autógrafos.

De uma perspectiva técnica, os autógrafos são inspirados; todavia, para fins práticos, a Bíblia nas línguas de nossa época, por ser transmissão exata dos originais, é a Palavra de Deus inspirada.

3.3.3 Inspiração do Ensino, mas não de todo o seu conteúdo

o que a Bíblia ensina foi inspirado por Deus e não apresenta erro; nem tudo que está na Bíblia ficou isento de erro. Por exemplo, as Escrituras contém relatos de muitos atos maus, pecaminosos, mas de modo algum a Bíblia os elogia, tampouco os recomenda. Ao contrário, condenas essas práticas malignas Exemplo disto é a narrativa que a Bíblia faz de algumas mentiras de Satanás (Gn 3:4). Neste contexto, a única coisa que a inspiração divina garante aqui é que se trata de um registro verdadeiro de uma mentira satânica.

3.4 A Natureza da Inspiração

Durante a história da igreja podemos perceber basicamente três conceitos diferentes atribuídas a Bíblia em sua relação com a doutrina da inspiração e sua extenção. Vejamos cada uma delas.

a. A Ortodoxia: Pensamento teológico compreendido entre o I século até o século XVIII da era cristã. Para a ortodoxia a Bíblia é a palavra de Deus. Em todas as suas partes e palavras ela o registro fiel da revelação divina.

b. O Modernismo: Corrente teológica do século XIX que afirma que a Bíblia contém a palavra de Deus; e, por este prisma, assevera que certas partes dela são divinas, expressão a verdade, mas outras são obviamente humanas e apresentam erros.

c. A Neo-Ordodoxia: Corrente teológica do século XX. No início deste século a reviravolta nos acontecimentos mundiais e a influência do pai dinamarquês do existencialismo, SØrem Kierkeggard, deram origem a uma nova reforma na teologia européia. Muitos estudiosos começaram a voltar-se de novo para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de Deus. Criando, assim, um novo tipo de ortodoxia, afirmavam que Deus fala aos homens mediante a Bíblia; as Escrituras tornam-se a Palavra de Deus num encontro pessoal entre Deus e o homem.

Embora, hoje, tanto o modernismo como a neo-ortodoxia sejam correntes fortes no mundo acadêmico da teologia, necessário se faz que venhamos a confirmar aquela posição que sempre foi a norma fiel da igreja cristã por séculos. Isto porque a própria Bíblia, em detrimento aos conceitos dos teóricos secularizados, nos fornece um conceito exato sobre o que é a inspiração e qual a sua extensão nos escritos sagradas. Observemos cuidadosamente estes elementos.

a. A Inspiração é Verbal: é verbal no sentido em que todas as palavras contidas no Livro Sagrado são exatamente aquelas que o Espírito Santo queria que estivessem . Esta verdade facilmente se comprova nos textos bíblicos. Em II Tm 3:16 temos “toda a Escritura [γραφη] é inspirada por Deus”; em Ex 24:4 “Moisés escreveu todas as palavras do Senhor”; em II Sm 23:2 “o Espírito do Senhor fala por mim e a sua palavra está na minha boca, etc. No Novo Testamento Jesus usa repetidamente a expressão “está escrito” (Mt 4:4,7; Lc 24:27,44); o apóstolo Paulo testemunhou “... falamos, não como palavras de sabedoria humana, mas como as que o Espírito Santo ensina...” (I Co 2:13) e João nos adverte quanto a nãotirar quaisquer palavras do livro desta profecia” (Ap 22:19); Jesus declarou que não as palavras,. Mas até mesmos os pequenos sinais diacríticos de uma palavra hebraica vieram de Deus. Diante destes fatos, fica bem claro que a Bíblia reivindica para si mesma toda a autoridade verbal ou escrita. Diz a Bíblia que suas palavras vieram da parte de Deus.

b. A Inspiração é Plenária: A Bíblia reivindica a inspiração divina de todas as suas partes. É a inspiração plena, total, absoluta. “Toda [πασα] Escritura é divinamente inspirada...” (II Tm 3:16) Nenhuma parte das Escrituras deixou de receber total autoridade doutrinária. Jesus e todos os autores do Novo Testamento exemplificam sua crença firme na inspiração integral e completa do Antigo Testamento, citando trechos de todas as escrituras que eram para eles autoridade, até mesmo o que apresentam ensinos fortemente polêmicos como a criação de Adão e Eva, a destruição do mundo pelo dilúvio, o milagre de Jonas, etc.

c. A Inspiração Atribui Autoridade: uma vez que em todas as suas palavras, conceitos e partes a Bíblia é a inspirada e perfeita revelação de Deus, segue-se disto, portanto, que ela também é autoritativa, única regra de e prática. Disse Jesus “...a Escritura não pode ser anulada...” (Jo 10:35). Em numerosas ocasiões Jesus recorreu à palavra de Deus escrita, que ele considerava árbitro definitivo em questões de e de prática, para purificar o templo (Mc 11:17), pôr em cheque a tradição dos fariseus (Mt 15:3,4), resolver divergências doutrinárias (Mt 22:29) e defender-se contra as tentações de Satanás (Mt 4:4,7,10). Por fim, o próprio Cristo disse que “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei” (Lc 16:17). Esta sua autoridade é, também, decorrente de sua suficiência, ou seja, do fato de que tudo quanto necessitamos para sermos salvos, conhecermos a Deus e servi-lo está claramente exposto nos seus escritos. A idéia de que a Bíblia para ser a palavra de Deus tem que ser exaustiva em seu conteúdo, ou seja, falar de todos os assuntos e de forma pormenorizada, é fruto de uma compreensão errada sobre a inspiração da Bíblia e o propósito de Deus ao nos concedê-la, isto porque a inspiração significa fidelidade na escrituração da revelação e o propósito de Deus ao nos conceder uma revelação escrita foi o de nos mostrar o caminho da salvação e não falar de ciências, biologia, filosofia ou outros assuntos.

3.5 Evidências da Inspiração da Bíblia

a. A Reivindicação da Inspiração do V.T.

a.1 O V.T. afirma ser um documento com mensagem profética. A expressõesassim diz o Senhor” é muito comum nos escritos proféticos ( ).

a.2 As profecias escritas pelos profetas reconhecidamente inspirados eram preservados em lugar especial, sagrado. Essa coleção foi reconhecida e muito citada como Palavra de Deus ( ).

a.3 Os outros textos, igualmente inspirados, eram postos juntos com os que existiam em lugar sagrado ( ).

a.4 Jesus e os autores do N.T. tinham esses escritos na mais alta conta, para eles não podiam ser revogados ( ).

a.5 O escritores do N.T. fizeram numerosa referência aos escritos do V.T. tomando-os como inspirados e autoritativos ( ).

b. A Reivindicação da Inspiração do N.T.

b.1 Os escritores neotestamentários igualam seus escritos aos escritos do V.T. (II Pe 3:15,16).

b.2 Assim como Paulo chama o V.T de “Escritura” [γραφη] (II Tm 3:16), Pedro nomeia as epístolas paulinas também de “Escrituras” [γραφας] (II Pe 3:15,16).

b.3 Cada livro do N.T. contém alguma reivindicação de autoridade divina.

b.4 Os cristãos da era apostólica e os que lhes sucederam logo reconheciam a origem divina dos escritos neotestamentários, ao lado da autoridade divina do V.T.

b.5 Os livros do N.T. foram colecionados, lidos publicamente e posto ao lado do livros inspirados do V.T.

c. Evidência Interna da Inspiração da Bíblia: É a evidência que brota da Bíblia.

c.1 Evidência da autoridade que se auto-confirma: A Bíblia fala com autoridade própria, cheia de convicção. As multidões se maravilhavam com Cristo pois ele fala com autoridade (Mc 1:22). A expressãoassim diz o Senhor” ressalta a idéia de que os profetas nada falavam de si mesmos, e, sim por determinação, orientação e supervisão de Deus”. As palavras das Escrituras não precisam ser defendidas; precisam apenas ser ouvidas, para que se saiba que são a Palavra de Deus.

c.2 Evidência do testemunho do Espírito Santo: A Palavra de Deus confirma-se perante os filhos de Deus através do Espírito Santo. Este é o único que poderosa e eficazmente pode convencer os pecadores sobre a realidade da inspiração verbal e plenária da Bíblia. Ou seja, o mesmo Espírito que inspirou a Bíblia é o mesmo que ilumina os corações para que entendam, creiam e sejam salvos ( ).

c.3 Evidência da capacidade transformadora da Bíblia: Há na Bíblia, Pelo Espírito Santo, a capacidade de convencer, converte e edificar o pecador para a vida eterna. Os entristecidos recebem conforto, os pecadores são repreendidos, os negligentes são exortados pelas Escrituras. A evidência de que Deus atribui sua autoridade à Bíblia está em seu poder evangelístico e edificador.

c.4 Evidência da unidade da Bíblia: Uma evidência mais formal da inspiração da Bíblia está na sua unidade. Sendo constituída de 66 livros escritos ao longo de 1500 anos, por cerca de 40 escritores, diversas línguas, com centenas de tópicos, é muito mais que mero acidente que a Bíblia apresente espantosa unidade temática – Jesus Cristo; um problema – o pecado; uma solução – o salvador Jesus, unificando as páginas da Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse.

d. Evidência Externa da Inspiração da Bíblia: É a que surge de fora da Bíblia.

d.1 Evidência Baseada na Historicidade da Bíblia: Grande parte do conteúdo bíblico é história e, portanto, passível de constatação. Os artefatos arqueológicos, os documentos escritos e nenhuma descoberta arqueológica invalidou um ensino ou relato bíblico. Grande parte da antiga crítica à Bíblia foi firmemente refutada pelas descobertas arqueológicas que demonstraram a existência da escrita no tempo de Moisés, a história e a cronologia dos reis de Israel e até mesmo a existência dos hititas, povo até pouco mencionado na Bíblia. A Descoberta dos rolos do Mar Morto ilustra que existem milhares de manuscritos tanto do V.T. como do N.T. , o que contrasta com o punhado de originais disponíveis de muitos clássicos seculares de grande importância. Isto significa que a Bíblia é o livro do mundo antigo mais bem documentado que existe.

d.2 Evidência do Testemunho de Cristo: Se Jesus possui alguma autoridade ou integridade como mestre religioso, podemos concluir que a Bíblia é inspirada por Deus. O Senhor Jesus ensinou que a Bíblia é a Palavra de Deus. Se alguém quiser provar ser esta assertiva falsa, deverá primeiro rejeitar a autoridade que tinha Jesus de se pronunciar sobre a questão da inspiração.

d.3 Evidência da Profecia: Até o presente momento nenhuma profecia bíblica ficou sem ser cumprida, cada uma delas de concretizou literalmente. A época do nascimento de Jesus Cristo (Dn 9), a cidade em que ele deveria nascer (Mq 5:2) e a natureza de sua concepção e nascimento (Is 7:14). Outros livros reivindicam inspiração divina, como o Alcorão, todavia, nenhum desses livros contém predições sobre o futuro. A Bíblia, portanto, tem um forte argumento a favor de sua autoridade divina: suas profecias sempre se cumprem.

d.4 Evidência da Influência da Bíblia: Nenhum outro livro tem sido tão largamente disseminado, nem exercido tão forte influência como a Bíblia. Esta foi traduzida em mais de mil línguas, abrangendo 90% da população do mundo. Nenhuma obra religiosa ou de fundo moral do mundo excede a profundidade moral contida no princípio do amor cristão, e nenhum apresenta conceito espiritual mais majestoso sobre Deus. A Bíblia apresenta ao homem os mais elevados idéias que pautaram a civilização.

d.5 Evidência da Manifesta Indestrutibilidade da Bíblia: A despeito de sua tremenda importância, a Bíblia tem sofrido muito mais ataque perversos do que seria de esperar, em se tratando de um livro. No entanto a Bíblia tem resistido a todos os ataques. Até mesma a igreja Católica Romana tentou ocultá-la e até destruiu milhares delas, contudo a palavra de Deus foi livre dos mosteiros e masmorras e entre pela Reforma Protestante aos homens.

d.6 Evidência Oriunda da Integridade de Seus Escritores: Os escritores bíblicos não eram meros poetas, historiadores, religiosos,etc., estes homens carregavam com sigo a idéia bem firmada que eles escreviam da parte de Deus, e, portanto, estavam disposta até morrer pela defesa da que expunham em seus escritos. Embora estarem distanciados até por séculos, eles sinceramente criam que Deus lhes falava e que era imperioso escrever aos homens a vontade de Deus.


APÊNDICE - I

1. AS VERSÕES DA BÍBLIA E OS LIVROS APÓCRIFOS

a. A Septuaginta (LXX): Foi a tradução do Velho testamento hebraico para o grego em III a.C. na cidade de Alexandria. Foi nesta tradução que pela primeira vez são postos os livros apócrifos ao lado dos livros inspirados.

b. A Antiga Latina: Foi a tradução da Bíblia para o latim antes de 200 d.C, no norte da África. Nesta tradução fez-se uso da Septuaginta como texto base para se traduzir o V.T. ; com isto os livros apócrifos continuaram ao lado dos livros inspirados.

c. A Vulgata Latina: Foi a tradução da Bíblia para o latim por volta do ano 382 d.C. Nesta tradução Jerônimo fez uso do texto hebraico (texto massorético – TM). A controvérsia em torno da tradução do V.T. por Jerônimo com base no original hebraico reflete não os conflitos entre cristãos e judeus, mas a crença mais problemática ainda sustentada por muitos líderes cristãos, dos quais Agostinho, segundo a qual a LXX era verdadeiramente a Palavra inspirada, inerrante, da parte de Deus, em vez de uma mera tradução não-inspirada baseada nos originais hebraicos. Jerônimo considerou que os livros apócrifos não eram de autoridade sobre a igreja, uma vez que eles não eram inspirados.

No século XVI, a igreja, tendo se afastado das Escrituras sagradas, veio a ficar comprometida com a devassidão moral, politicagem eclesiástica, paganismo e tantos outros males. A Bíblia foi retirada das mãos do povo comum e aqueles que tentavam mudar tal situação eram presos e até mortos pela própria igreja, a mando do papa.

Os desvios doutrinários a cada dia apareciam, e para fins da construção da basílica de são Pedro, ao monge Tetzel foi dada autoridade para a venda de indulgências que garantiam o perdão dos pecados passados presentes e futuros a quem comprasse tal documento. Embora tal prática seja absurda até para os católicos hoje, contudo na época tal prática era sancionada pelo papa e estava de acordo com a doutrina do purgatório, da missa de sétimo dia e da infabilidade papal, uma vez que o próprio papa havia reconhecido a existência de um lugar de purificação para aquelas almas que não iam diretamente para o céu. Tudo de acordo com algumas pouquíssimas passagens dos livros apócrifos.

É, então, neste contexto histórico que surge a Reforma Protestante proclamando “ a Escrituracomo única regra de e prática. Lutando contra as indulgências os reformadores asseveravam que tal prática não tinha respaldo na Palavra de Deus e que portanto deveria ser rejeitada por todo verdadeiro cristão. Tendo a igreja católica sofrido grandes baixas de membros em vários países, no Concílio de Trento declara canônicos os livros apócrifos pelos seguintes motivos:

a. Para confirmar a doutrina do purgatório, missa de sétimo dia e outras afins, que tem sua base no livro de Macabeus.

b. Para defender a autoridade papal sobre questões doutrinárias.

c. Para não cair em descrédito diante da opinião pública, tendo que se retratar quanto a um erro de doutrina e prática.

d. Para continuar levantando recurso para a construção da Basílica de São Pedro

e.. Para combater o avanço da Reforma Protestante.

Portanto, a acusação que os protestantes retiraram livros da Bíblia não condiz que os fatos históricos, uma vez que estes tais, aceitos tardiamente pelos católicos, foram canonizados por motivos espúrios e não por serem verdadeiramente inspirados, pois se o fossem como são os livros da Bíblia, estes, chamados livros apócrifos, teriam sido reconhecidos como canônicos, uma vez que por mais de um milênio e meio se encontravam pertos dos livros universalmente reconhecidos pelo povo de Deus como inspirados.

Os livros apócrifos, embora não serem tidos como inspirados pelos protestantes, eram, contudo, reconhecidos como obras históricas e testemunhas daquele período compreendido entre Malaquias e Mateus. Eram portanto, até lidos, mas nunca usados como textos inspirados e autoritativos para de fazer doutrina alguma ou se asseverar algo sobre a prática ou crença da igreja cristã.

II. A CONFISSÃO DE DE WESTMISNTER

Cap I – Da Escritura Sagrada

I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.


Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19.

II. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática:


Ef. 2:20; Apoc. 22:18-19: II Tim. 3:16; Mat. 11:27.

III. Os livros geralmente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; não são, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos.


Luc. 24:27,44; Rom. 3:2; II Pedro 1:21.

IV. A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.


II Tim. 3:16; I João 5:9, I Tess. 2:13.

V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações.


I Tim. 3:15; I João 2:20,27; João 16:13-14; I Cor. 2:10-12.

VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.


II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.

VII. Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.


II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11.

VIII. O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam a esperança pela paciência e conforto das escrituras.


Mat. 5:18; Isa. 8:20; II Tim. 3:14-15; I Cor. 14; 6, 9, 11, 12, 24, 27-28; Col. 3:16; Rom. 15:4.

IX. A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.


At. 15: 15; João 5:46; II Ped. 1:20-21.

X. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.


Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.


3. CATECISMO MAIOR Perguntas de 3 - 5

3. Que é a Palavra de Deus?


As Escrituras Sagradas, o Velho e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus, a única regra de fé e prática.


II Tim. 3:16; 11 Pedro 1:19 21; Isa. 8:20; Luc. 16:29, 31; Gal. 1:8-9.


4. Como se demonstra que as Escrituras são a Palavra de Deus?


Demonstra-se que as Escrituras são a Palavra de Deus - pela majestade e pureza do seu conteúdo, pela harmonia de todas as suas partes, e pelo propósito do seu conjunto, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e pelo poder que possuem para convencer e converter os pecadores e para edificar e confortar os crentes para a salvação. O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas no coração do homem, é o único capaz de completamente persuadi-lo de que elas são realmente a Palavra de Deus.


Os. 8:12; 1 Cor. 2:6-7; Sal. 119:18, 129, 140; Sal. 12:6; Luc. 24:27; At. 10:43 e 26;22; Rom, 16:25-27; At. 28:28; Heb. 4:12; Tiago 1:18; Sal. 19:7-9; Rom. 15:4: At 20:32; João 16:13-14.


5. Que é o que as Escrituras principalmente ensinam?


As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem.


João 20:31; 11 Tim. 1:13.

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Doutorando em Ciências da Religião (PUC-GO), Mestre em Ciências da Religião (PUC-GO), Licenciatura em Pedagogia (UVA-CE), História (UVA-CE), Matemática (UNIFAN-GO) e Bacharel em Teologia (FACETEN-Ro). Professor de Metodologia do Ensino da Matemática; Metodologia do Ensino das Ciências Naturais; Educação e Cultura; Fundamentos Epistemológicos da Educação e Educação, Sociedade e Meio Ambiente, Filosofia, Ética, Ciências Políticas (FANAP).

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